Cartaz de cinema

"Quebrando o Silêncio": abusos na comunidade judaica revelados em abril no canal Crime+Investigation

Publicado em 15 Abr. 2017 às 10:00, por , em Notícias de Televisão e Séries (Temas: Estreias)

"Quebrando o Silêncio": abusos na comunidade judaica revelados em abril no canal Crime+Investigation

Como é que um jovem de 12 anos sobrevive após ser vítima de abusos levados a cabo por líderes da comunidade que deviam zelar pelo seu bem-estar? De que forma cresce para se tornar líder da comunidade judaica e um dos mais conhecidos defensores e cruzados contra abusos de menores da Austrália entre a comunidade geral e judaica, a nível nacional e internacional? De que forma sarou as feridas do passado e ajuda outros a fazerem o mesmo?   

A 25 de abril, pelas 23h00, no Crime+Investigation Manny Waks apresenta provas contra duas instituições ultraortodoxas judaicas na Austrália, acusadas de cobrir e proteger pedófilos durante os anos 80 e 90.  

Nascido em 1976, Waks, o segundo de 17 crianças, cresceu na comunidade Chabad de Melbourne, uma seita ultraortodoxa do judaísmo que controlava a sua vida com uma disciplina rigorosa.

Todos os problemas, grandes e pequenos, eram levados ao rabi que ditava as soluções. Era exigida obediência absoluta a crianças e adultos e as armas de escolha em impô-la, conforme evidenciado pelo tratamento dado a Waks e às outras vítimas de abuso e suas famílias, consistiam na vergonha, exposição ao ridículo, ostracismo, e difamação.

A vida na comunidade Chabad em que todos obedeciam às leis sem as questionar e eram infantilizados até ao ponto de não conseguirem tomar decisões de forma independente, ou fazer juízos morais de acordo com a sua consciência, criava uma hierarquia de impotência que muitas vezes encontrava expressão no abuso de poder.

Em criança, Manny Waks não tinha consciência da hipocrisia existente na sua comunidade Chabad e seus efeitos desencorajadores, mas a vida mudou drasticamente para ele quando aos onze anos se tornou vítima do primeiro abuso, um pesadelo que durou três anos. Quando se tornou vítima do segundo agressor não contou a ninguém, no entanto pouco depois tornou-se do conhecimento geral e as intimidações intensificaram-se.

Numa reação típica de vítima, culpou-se a si próprio. Sentiu vergonha, embaraço e humilhação, começou a ter mau desempenho escolar e tornou-se conflituoso. Foi retirado da edução formal e passou para os estudos religiosos a tempo inteiro, mas rapidamente começou a ignorar as práticas religiosas e a consumir bebidas alcoólicas.

O seu "pedido de ajuda" teve como resposta a exclusão da aula pelos professores e agressões físicas por parte do pai. Waks afirmava que não estava preparado para lidar com os abusos ignorando o facto de não serem sua responsabilidade mas daqueles que deviam cuidar dele, protegê-lo de predadores e em caso de falharem apoiá-lo na recuperação.

Apesar da autoridade absoluta, os rabis e líderes da comunidade Chabad mostraram uma falta de compreensão extrema sobre a natureza predatória e atividades criminosas dos pedófilos.  

Em "Quebrando o Silêncio" os espetadores vão ver, pela primeira vez, os rabinos e autoridades oficiais acusados dos encobrimentos a tomarem a palavra e a serem questionados no Tribunal de Melbourne. É também revelado que Manny não foi o único membro da família abusado pelos mentores; o pai de Manny, Zephaniah Waks, conta que outros dois filhos sofreram abusos por um Professor do Centro Yeshivah, David Kramer, nos anos 90.