Cartaz de cinema

Queer Lisboa revela primeiras novidades da 23ª edição

Publicado em 3 Jul. 2019 às 19:05, por , em Notícias de cinema (Temas: Festivais de cinema)

Queer Lisboa revela primeiras novidades da 23ª edição

"Indianara", documentário sobre a ativista transgénero Indianare Siqueira, é o filme de abertura da edição de 2019, que se realiza de 20 a 28 de setembro.

O Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer, anunciou hoje alguns dos destaques da 23ª edição, a decorrer de 20 a 28 de setembro de 2019, no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa.

Um dos principais destaques deste Queer Lisboa 23 é o ciclo retrospetivo da secção Panorama do Festival Internacional de Cinema de Berlim, por ocasião do seu 40º aniversário. Intitulado "Berlinale Panorama 40", o ciclo propõe um olhar a alguns dos filmes que fizeram o percurso de uma das mais ousadas e inspiradoras montras de cinema não alinhado (incluindo o cinema queer) na Europa.

Em 2019, em jeito de celebração, a Berlinale desafiou Wieland Speck, o ex-diretor artístico que durante mais tempo encabeçou o Panorama (1993-2017) e Andreas Struck, um dos curadores atuais da secção, a desenharem um programa que traçasse a sua história.

Com este ciclo em Lisboa, programado em parceria com Speck e Struck, o Queer Lisboa pretende lançar um olhar retrospetivo sobre os filmes queer que fizeram a história do Panorama, também eles realizados por cineastas para os quais a Berlinale é parte essencial da sua história. Destaques nas longas-metragens para "Self-Portrait in 23 Rounds: A Chapter in David Wojnarowicz"s Life, 1989-1991" (2018) de Marion Scemama, um mosaico revelador e comovente do seminal artista político norte-americano David Wojnarowicz, "Rebels of the Neon God" (1992) primeira longa-metragem de Tsai Ming-liang que lançou a sua carreira, e "100 Days Before the Command" (1990) de Hussein Erkenov, sobre a intimidade partilhada por cinco soldados da União Soviética, permanentemente acossados pela violência que os rodeia.

Nas curtas-metragens, destaque para "Max" (1992) de Monika Treut e "The Attendant" (1993) de Isaac Julien, dois nomes maiores do cinema queer.

O Queer Lisboa anunciou também que o filme de abertura da edição deste ano será "Indianara" (2019) de Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa, a exibir na noite de 20 de setembro. Estreado na secção independente ACID na 72ª edição do Festival de Cannes, o documentário segue o percurso de luta e resistência (do impeachment de Dilma e presidência de Temer, à eleição de Bolsonaro, passando pelo assassinato de Marielle Franco) da ativista transgénero Indianare Siqueira, uma mulher para quem o engajamento é sobretudo uma questão de amor, amizade e solidariedade. Um documentário imersivo e cru, mas também extremamente comovente que parte de um microcosmos comunitário para apurar tudo o que há de fundamental no cenário de opressão e luta política e social do Brasil de hoje.

O festival revelou também o programa Queer Focus da 23ª edição. "Ecosex" é o mote com os filmes "Water Makes Us Wet: an Ecosexual Adventure" (2018), de Beth Stephens e Annie Sprinkle, e "Ecosex, a User"s Manual" (2018), de Isabelle Carlier.  

Por último, foi também anunciada a antestreia nacional de "Golpe de Sol" (2019), o mais recente filme do realizador português Vicente Alves do Ó. Depois das biopics "Florbela" e "Al Berto", Alves do Ó conta agora uma história com quatro protagonistas à volta de uma piscina numa casa isolada no campo, que esperam em sobressalto uma quinta personagem, ex-amante comum aos quatro amigos, que ameaça revelar verdades escondidas.

O Queer Lisboa 23 realiza-se de 20 a 28 de setembro no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa. A programação completa, atividades paralelas, júris e convidados oficiais, serão anunciados em conferência de imprensa a 10 de setembro.