Publicado em 22 Aug. 2025 às 08:23, por filmSPOT, em Notícias de cinema (Temas: Obituário)
Duas vezes nomeado para os Óscares, destacou-se como uma das figuras mais prestigiadas da direção de fotografia a nível internacional.
O diretor de fotografia Eduardo Serra morreu aos 81 anos. A informação foi confirmada por fonte próxima da família e divulgada pela Academia Portuguesa de Cinema.
Nascido em Lisboa em 1943, Serra era o mais internacional dos diretores de fotografia portugueses. Foi nomeado duas vezes para os Óscares, com "As Asas do Amor" (1997), de Iain Softley, e "Rapariga com Brinco de Pérola" (2003), de Peter Webber, trabalho que lhe valeu também o BAFTA da Academia Britânica de Cinema.
A sua carreira internacional começou em França, país para onde se mudou em 1963, após ter sido alvo de perseguição política devido ao seu envolvimento em protestos contra a ditadura. Formou-se na Escola Nacional de Fotografia e Cinematografia e estudou História de Arte e Arqueologia na Sorbonne, iniciando um percurso que o levaria a colaborar com cineastas como Alain Cavalier, Patrice Leconte e Claude Chabrol.
Ao longo de cinco décadas, Eduardo Serra assinou a direção de fotografia de obras de referência em diferentes geografias. Destacam-se "Diamantes de Sangue" (2006), de Edward Zwick, os dois capítulos da saga "Harry Potter e os Talismãs da Morte" (2010-2011), realizados por David Yates, "Belle du Seigneur" (2012), de Glenio Bonder, e "A Primise" (2013), de Patrice Leconte.
Em Portugal, trabalhou com José Fonseca e Costa, em "Sem Sombra de Pecado" (1982) e "A Mulher do Próximo" (1988), João Mário Grilo, em "O Processo do Rei" (1989), Luís Filipe Rocha, em "Amor e Dedinhos de Pé" (1991), e Fernando Lopes, em "O Delfim" (2001).
Numa retrospetiva da obra de Eduardo Serra que teve lugar em julho deste ano, a Cinemateca Portuguesa recordou-o como "um artista português capaz de dialogar com cineastas de várias geografias, do cinema de autor europeu às grandes produções internacionais".