Publicado em 23 Sep. 2025 às 22:56, por filmSPOT, em Notícias de cinema (Temas: Obituário, Cinema Europeu)
Atriz nascida na Tunísia, destacou-se em filmes como "Oito e Meio", "O Leopardo" e "Era Uma Vez no Oeste". Tinha 87 anos.
A atriz Claudia Cardinale, uma das grandes estrelas do cinema europeu do pós-guerra, morreu aos 87 anos, avançou esta terça-feira a imprensa internacional. Nascida em Tunes, em 1938, no seio de uma família de origem siciliana, tornou-se um dos rostos mais emblemáticos do cinema italiano, com uma carreira que atravessou mais de seis décadas.
A sua entrada no mundo do cinema aconteceu em 1957, após vencer um concurso de beleza em Tunes que lhe valeu uma viagem ao Festival de Veneza. O seu sotaque, marcado pelo dialecto siciliano e pela educação em francês, obrigou a que a sua voz fosse dobrada nas primeiras participações no cinema italiano.
Depois de pequenos papéis, a consagração internacional chegou em 1963, com a participação em "Oito e Meio", de Federico Fellini, e em "O Leopardo", de Luchino Visconti, onde contracenou com Burt Lancaster. Nesse mesmo período, destacou-se também em produções internacionais, nomeadamente em "A Pantera Cor-de-Rosa", de Blake Edwards, e em "Era Uma Vez no Oeste", de Sergio Leone, em 1968.
Ainda nos anos 1960, trabalhou com nomes maiores da realização italiana, como Mauro Bolognini, Mario Monicelli e Valerio Zurlini, tendo participado em filmes como "Rocco e os Seus Irmãos" (1960), de Visconti. A sua carreira internacional levou-a também a colaborar com diretores como Richard Brooks, ou Henry Hathaway.
A década de 1970 trouxe-lhe dificuldades, após a separação do produtor Franco Cristaldi. Ainda assim, recuperou protagonismo ao integrar a série televisiva "Jesus de Nazaré", de Franco Zeffirelli, em 1977, e ao colaborar com cineastas como Werner Herzog em "Fitzcarraldo" (1982) e Marco Bellocchio em "Enrico IV" (1984).
O regresso ao teatro no virar do milénio trouxe-lhe novos aplausos e prolongou a sua presença artística para além do cinema. O seu último trabalho conhecido foi na série suíça "Bulle", em 2020.
Em 2002, recebeu o prémio de carreira no Festival de Berlim, ocasião em que refletiu sobre o percurso artístico: "Vivi mais de 150 vidas – prostituta, santa, romântica, todo o tipo de mulher. É maravilhoso ter essa oportunidade de se transformar."