Publicado em 8 Sep. 2025 às 19:06, por filmSPOT, em Notícias de cinema (Temas: Bastidores)
Yorgos Lanthimos, Olivia Colman Josh O'Connor, Mark Ruffalo, Tilda Swinton e muitos outros atores, cineastas e outros trabalhadores da indústria cinematográfica assinaram um compromisso de boicote a instituições culturais de Israel, em protesto contra a guerra em Gaza e a violência contra o povo palestiniano.
Mais de 1 500 nomes ligados ao cinema e à televisão, entre eles vencedores de Óscares, BAFTA, Emmys e Palmas de Ouro, subscreveram o documento divulgado pela organização Film Workers for Palestine. Os signatários comprometem-se a não colaborar com festivais, produtoras, distribuidoras e outras entidades israelitas que considerem "cúmplices de crimes de guerra, genocídio e apartheid contra o povo palestiniano".
Entre os subscritores encontram-se os realizadores Yorgos Lanthimos, Ava DuVernay, Adam McKay, Mike Leigh e Joshua Oppenheimer, bem como atores como Olivia Colman, Mark Ruffalo, Tilda Swinton, Javier Bardem, Gael García Bernal, Riz Ahmed, Ayo Edebiri e Josh O'Connor. Também Portugal está representado, com realizadores como Sérgio Tréfaut, Susana de Sousa Dias, Teresa Villaverde e Pedro Serrazina a juntarem-se ao movimento.
O texto do compromisso sublinha que "a vasta maioria das empresas de produção e distribuição israelitas, agentes de vendas, cinemas e outras instituições nunca reconheceram plenamente os direitos internacionalmente reconhecidos do povo palestiniano". Como exemplos de entidades visadas são apontados o Festival de Cinema de Jerusalém, o Festival Internacional de Cinema de Haifa, o Docaviv e o TLVfest.
A iniciativa inspira-se no movimento Filmmakers United Against Apartheid, fundado em 1987 por Jonathan Demme, Martin Scorsese e outros cineastas para boicotar a indústria cinematográfica do regime sul-africano. Segundo a organização, o objetivo é pressionar o setor cultural a não legitimar políticas consideradas de opressão.
Este compromisso surge na sequência de um apelo de cineastas palestinianos para que a comunidade internacional do cinema recuse "o silêncio, o racismo e a desumanização" e atue contra a cumplicidade na sua opressão.
O manifesto foi amplamente noticiado pelo The Guardian, que sublinhou o facto de a iniciativa representar uma das ações de boicote cultural mais relevantes desde a escalada do conflito em Gaza.
David Farr, argumentista e signatário do manifesto, afirmou ao jornal britânico: "Como descendente de sobreviventes do Holocausto, sinto-me perturbado e enfurecido pelas ações do Estado de Israel, que durante décadas impôs um sistema de apartheid ao povo palestiniano e agora perpetra genocídio e limpeza étnica em Gaza. Neste contexto, não posso apoiar que o meu trabalho seja publicado ou apresentado em Israel."
Na passada semana um protesto ao Festival de Cinema de Veneza (2025) contou com a participação do grupo Venice4Palestine, que organizou uma marcha na cidade italiana e uma conferência de imprensa exigindo que o festival cortasse laços com instituições pró-israelitas, apesar de a organização do evento afirmar que não exclui artistas com base nas suas convicções políticas.
Desde 7 de outubro de 2023, a operação militar israelita em Gaza já matou perto de 65 000 palestinianos. A resposta ao ataque surpresa do Hamas contra Israel, no qual morreram 1 195 israelitas e estrangeiros - entre eles 815 civis - e 251 foram feitos reféns destruiu quase toda a Faixa de Gaza e provocou uma crise humanitária sem precedentes na zona com mortes confirmadas por fome e pela ausência de cuidados médicos básicos. A maioria das vítimas palestinianas são mulheres e crianças.