Cartaz de cinema

LEFFEST 2025: Festival de Cinema de Lisboa apresenta programa com abertura a cargo de Jim Jarmusch

Publicado em 23 Sep. 2025 às 13:12, por filmSPOT, em Notícias de cinema (Temas: Festivais de cinema)

LEFFEST 2025: Festival de Cinema de Lisboa apresenta programa com abertura a cargo de Jim Jarmusch

O LEFFEST – Lisboa Film Festival anunciou hoje o programa da 19.ª edição, com foco em obras premiadas, novos talentos e retrospectivas.

Paulo Branco, diretor do LEFFEST, revelou os pormenores da programação do 19.º LEFFEST – Lisboa Film Festival. Durante a conferência de imprensa realizada nos Paços do Concelho, em Lisboa, foram anunciados os filmes e eventos que vão preencher várias salas da cidade de 7 a 16 de novembro.

Ao longo dos dez dias, o certame espalhar-se-á pelo Cinema São Jorge, o Cinema Medeia Nimas, a Culturgest, o Teatro do Bairro, o Auditório dos Recreios da Amadora, o Cineteatro D. João V, a Galeria Zé dos Bois e as salas de cinema NOS Amoreiras.

O festival abre com "Father Mother Sister Brother", do norte-americano Jim Jarmusch, o Leão de Ouro no recente Festival de Veneza. 

Na Competição Oficial, 12 longas-metragens competirão pelo Grande Prémio que será atribuído por um júri presidido por Mohammad Rasoulof e composto ainda por Stacy Martin, Kim Gordon, Rodrigo Moreno, Manuel Martín Cuenca e Francisco Aires Mateus. 

A seleção inclui Richard Linklater ("Blue Moon"), Ildikó Enyedi ("Silent Friend"), Hal Hartley ("Where to Land", em estreia europeia) e Christian Petzold ("Miroirs No. 3"). Regressos também após longos intervalos de cineastas como Cai Shangjun ("The Sun Rises on Us All"), Fernando Eimbcke ("Olmo") e Milagros Mumenthaler ("Las corrientes"). Entre os novos valores destacam-se Anuparna Roy ("Songs of Forgotten Trees"), Hasan Hadi ("The President"s Cake"), Alireza Ghasemi e Raha Amirfazli ("In the Land of Brothers"), bem como o português Pedro Cabeleira ("Entroncamento"). Pendente de confirmação final, está "Mektoub, My Love: Canto Due", concluído este ano por Abdellatif Kechiche.

Fora de competição, o programa inclui títulos apresentados pelos realizadores ou elencos: Gus Van Sant deslocar-se-á a Lisboa para exibir "Dead Man"s Wire"; Chloé Zhao apresenta "Hamnet"; Mona Fastvold, Brady Corbet e Stacy Martin acompanharão "The Testament of Ann Lee"; Lynne Ramsay surge com "Die My Love"; Kelly Reichardt com "The Mastermind"; Olivier Assayas marcará presença na sessão de "The Wizard of the Kremlin"; e Kristen Stewart, ao lado de Kim Gordon, apresentará "The Chronology of Water". 

Completam esta secção o Leopardo de Ouro em Locarno, "Two Seasons, Two Strangers"; "Kontinental "25", de Radu Jude; "The Voice of Hind Rajab", ovacionado em Veneza; e a trilogia "Sex Love Dreams", do norueguês Dag Johan Haugerud, cujo capítulo mais recente conquistou o Urso de Ouro em Berlim. 

Das estreias nacionais, sobressaem "As Meninas Exemplares", de João Botelho, e "Maria Vitória", de Mário Patrocínio, com a presença dos respetivos elencos.

A secção Descobertas, dedicada a cineastas emergentes, atribuirá o Prémio Revelação a um dos sete filmes em competição, selecionados por um júri formado por Avi Mograbi, Margarida Cardoso, Stephen Kovacevich e Stéphanie Argerich. 

Os títulos incluem "DJ Ahmet", de Georgi M. Unkovski; "Homebound", de Neeraj Ghaywan; "Living the Land", de Huo Meng; "Lucky Lu", de Lloyd Lee Choi; "My Father"s Shadow", de Akinola Davies Jr.; "Shadowbox", de Tanushree Das e Saumyananda Sahi; e "Urchin", de Harris Dickinson.

Na categoria Grandes Mestres, o festival exibe novas obras de figuras proeminentes do cinema mundial, como "Director's Diary", de Aleksandr Sokurov; "Leibniz – Chronicle of a Lost Painting", de Edgar Reitz; "Un film fatto per Bene", de Franco Maresco; "Laguna", de Sharunas Bartas; e "Historias del buen valle", de José Luis Guerín. Sokurov, Bartas e Guerín estarão em Lisboa para interagir com o público durante as sessões de apresentação.

Hal Hartley, ícone do cinema independente americano, será alvo da primeira grande retrospetiva europeia dedicada à sua obra, acompanhada da estreia europeia de "Where to Land". 

O LEFFEST celebra igualmente a atriz portuguesa Isabel Ruth, figura central do Cinema Novo; o realizador e ator brasileiro Wagner Moura, recente vencedor em Cannes; e a atriz britânica Miranda Richardson, com uma carreira que abrange quatro décadas. Todos participarão em encontros com o público e na apresentação dos seus trabalhos.

Dois focos geográficos enriquecem o panorama: "Um Novo Élan do Cinema Espanhol" reúne sete filmes inéditos em Portugal, ilustrando a renovação do setor com realizadores de várias gerações, como Manuel Martín Cuenca, Pilar Palomero, Alberto Morais e Javier Rebollo, que marcarão presença. 

Já "O Cinema da Ásia Central" explora 12 produções do Cazaquistão, Tajiquistão, Uzbequistão e Quirguistão, das Novas Vagas dos anos 80 até à contemporaneidade, com alguns autores presentes.

Em memória de Marisa Paredes, atriz espanhola falecida recentemente e descrita por Pedro Almodóvar como uma presença que "tudo dignificava", o festival organizará uma homenagem com exibições de filmes emblemáticos da sua filmografia e contributos de colaboradores próximos.

Os ciclos temáticos aprofundam questões contemporâneas: "Exílios" reflete sobre o desenraizamento através de filmes, debates, leituras e uma exposição do coletivo Dahaleez na Galeria Zé dos Bois, culminando num cine-concerto com "The Immigrant" (1917) e "The Pilgrim" (1923), de Charlie Chaplin, ao vivo pelo Rodrigo Amado Trio. Em "Revoluções", curado por Denis Ruzaev e Inês Branco López, o cinema examina a história como motor de mudança.

A programação estende-se a uma homenagem ao compositor estónio Arvo Pärt, no seu 90.º aniversário, com um concerto pelo GGG Trio (Gidon Kremer no violino, Georgijs Osokins no piano e Giedrė Dirvanauskaitė no violoncelo), conversas sobre a sua obra e exibições de filmes, incluindo a colaboração com Robert Wilson.

Por fim, o LEFFEST exibirá três clássicos restaurados: "Senso" (1954), de Luchino Visconti, pela Cineteca di Bologna; "La Règle du Jeu" (1939), de Jean Renoir, pela Cinémathèque Française; e "O Processo do Rei" (1990), de João Mário Grilo, na primeira projeção pública após restauração pela Cinemateca Portuguesa.