Publicado em 17 Sep. 2025 às 23:08, por filmSPOT, em Notícias de cinema (Temas: Oscars, Bastidores)
"The Sea" qualificou-se ao vencer os prémios Ophir do cinema israelita numa noite marcada por protestos. Governo reage com corte de financiamento.
O filme "The Sea", realizado por Shai Carmeli-Pollak, venceu a edição deste ano dos prémios Ophir, atribuídos pela Academia Israelita de Cinema e Televisão, numa cerimónia realizada a 16 de setembro. A obra, filmada em árabe e hebraico, acompanha a vida de um jovem palestiniano de uma aldeia próxima de Ramallah que sonha em chegar a Telavive para ver o mar.
Além de Melhor Filme, distinção que garante a candidatura aos Óscares em nome de Israel, "The Sea" arrecadou ainda os prémios de Melhor Argumento, Melhor Actor (para o jovem palestiniano Muhammad Gazawi, de 13 anos), Melhor Ator Secundário (Khalifa Natour) e Melhor Banda Sonora Original.
Durante a noite dos Ophir ouviram-se fortes discursos contra a guerra em Gaza. Baher Agbariya, o produtor palestiniano do filme, sublinhou que a obra nasceu "do amor pela humanidade e pelo cinema" e defendeu "o direito básico de cada criança viver e sonhar em paz, sem medo e sem guerra". Também Muhammad Gazawi, ao receber o prémio de interpretação, declarou em árabe: "Desejo que todas as crianças do mundo possam viver e sonhar sem guerras."
Assaf Amir, presidente da Academia Israelita de Cinema, afirmou em comunicado que "The Sea" é uma prova da relevância e da sensibilidade do cinema nacional perante a realidade. "Especialmente no contexto da guerra em Gaza, a capacidade de olhar para o outro, mesmo não sendo do nosso povo, dá-me uma pequena esperança", acrescentou.
E continuou: "Perante os ataques do governo israelita ao cinema e à cultura israelitas e os apelos de parte da comunidade cinematográfica internacional para nos boicotar, a seleção de 'The Sea' é uma resposta poderosa e retumbante. Estou orgulhoso que um filme em língua árabe, nascido da colaboração entre israelitas judeus e palestinianos, possa representar Israel na competição dos Óscares".
Khalifa Natour, distinguido como Melhor Ator Secundário, optou por não estar presente, enviando uma mensagem em que disse não conseguir ignorar "a magnitude do horror" após a entrada das tropas israelitas em Gaza.
O prémio de Melhor Documentário foi para "Letter to David", de Tom Shoval, centrado na história de David Cunio, um dos reféns de 7 de outubro de 2023. O realizador surgiu em palco com fotografias de Cunio e do irmão Ariel, pedindo o fim da guerra e a libertação dos sequestrados.
As escolhas do júri e os discursos proferidos geraram reação imediata do governo israelita. O ministro da Cultura, Miki Zohar, classificou a cerimónia como "vergonhosa" e "patética". Anunciou também que vai cortar o financiamento estatal aos prémios Ophir a partir do orçamento de 2026. "Não permitirei que os cidadãos israelitas paguem por uma cerimónia que cospe na cara dos nossos soldados", declarou em comunicado.
Com cinco prémios conquistados, "The Sea" segue agora para a corrida internacional dos Óscares, onde representará Israel, mesmo em clima de forte divisão política e cultural.