Cartaz de cinema

Filme norueguês Sonhos (Sexo Amor) vence Urso de Ouro no Festival de Berlim 2025

Publicado em 23 Feb. 2025 às 08:58, por filmSPOT, em Notícias de cinema (Temas: Festivais de cinema, Cinema Europeu)

Filme norueguês Sonhos (Sexo Amor) vence Urso de Ouro no Festival de Berlim 2025

O drama, realizado por Dag Johan Haugerud, encerra uma trilogia sobre intimidade emocional e física e foi elogiado pelo júri presidido por Todd Haynes pela inteligência narrativa e desempenhos marcantes. Entre os outros vencedores, destaca-se o brasileiro "O Último Azul", de Gabriel Mascaro, e a australiana Rose Byrne, premiada como Melhor Atriz.

O 75.º Festival Internacional de Cinema de Berlim entregou os prémios no sábado, 22 de fevereiro de 2025, com a atribuição do Urso de Ouro ao filme norueguês "Drømmer (Sexo Amor)", realizado por Dag Johan Haugerud. Este drama aborda a história de Johanne, uma jovem de 17 anos que se apaixona pela sua professora de francês e transforma as emoções não correspondidas num romance, incentivada pela mãe e pela avó. É o terceiro e último filme de uma trilogia onde Haugerud explora a intimidade emocional e física.

Todd Haynes, presidente do júri, elogiou as atuações e a representação do desejo e do ato de escrever presentes no filme. Haugerud, também romancista, expressou que vencer o prémio ultrapassou os seus sonhos mais ambiciosos e encorajou o público a dedicar-se mais à leitura e à escrita.

O Grande Prémio do Júri, o Urso de Prata, foi concedido ao realizador brasileiro Gabriel Mascaro pelo filme "O Último Azul", uma narrativa distópica ambientada na Amazónia que retrata uma mulher de 77 anos que decide mudar a sua vida.

O prémio de Melhor Realizador foi para o chinês Huo Meng por "Living the Land", que retrata quatro gerações de agricultores na China dos anos 1990. O Prémio do Júri foi entregue a "El Mensaje", do argentino Iván Fund, que, ao receber o galardão, destacou as dificuldades que o cinema e a cultura enfrentam atualmente na Argentina.

Na categoria de interpretação, a australiana Rose Byrne foi distinguida com o Urso de Prata destinado aos atores pelo seu papel em "If I Had Legs, I'd Kick You", uma reflexão intensa sobre a maternidade. O prémio de Melhor Ator Secundário foi para o irlandês Andrew Scott, pela interpretação no filme "Blue Moon", realizado por Richard Linklater. Scott não pôde comparecer à cerimónia e agradeceu através de uma mensagem em vídeo.

O prémio de Melhor Argumento foi entregue ao romeno Radu Jude por "Kontinental '25", uma meditação sobre culpa e desigualdade sistémica. Durante a cerimónia de encerramento, que ocorreu na véspera das eleições parlamentares na Alemanha, Jude expressou preocupações sobre a ascensão da extrema-direita no país.

A cerimónia de encerramento deste ano foi relativamente discreta em termos políticos, especialmente quando comparada com a edição de 2024, que enfrentou críticas devido a expressões de solidariedade para com os palestinianos. Apenas Radu Jude mencionou as eleições, manifestando a esperança de que o festival do próximo ano não seja inaugurado com "O Triunfo da Vontade", referindo-se ao documentário de Leni Riefenstahl sobre o comício nazi de Nuremberga em 1934.

O 75.º Festival Internacional de Cinema de Berlim contou com 19 filmes em competição na secção principal.