Cartaz de cinema

"Filhos da Guerra": controversa minissérie alemã na RTP2 a 14 de agosto

Publicado em 11 Ago. 2017 às 18:38, por , em Notícias de Televisão e Séries (Temas: Estreias)

"Filhos da Guerra": controversa minissérie alemã na RTP2 a 14 de agosto

A amizade de cinco amigos muda para sempre com o início da segunda guerra mundial.

"Filhos da Guerra" (Unsere Mutter, Unsere Vater), minissérie alemã de seis episódios, estreia a 14 de agosto, na RTP2, com emissões de segunda a sexta, a partir das 22h10.

A ação tem início no verão de 1941, pouco antes da invasão da União Soviética pelos exércitos de Hitler. Wilhelm, Friedhelm, Charlotte, Greta e Viktor encontram-se num bar em Berlim para uma festa de despedida. Os cinco amigos combinam o reencontro no Natal, imaginando que a guerra já terá terminado.

Os irmãos Wilhelm e Friedhelm, servem no exército alemão e estão de partida para a frente de batalha. Charlotte, uma jovem enfermeira apaixonada por Wilhelm, pede transferência para um hospital de campanha, próximo da região onde está destacado o pelotão de Wilhelm. Greta, uma talentosa cantora em início de carreira, está apaixonada por Viktor, um jovem alfaiate judeu e fará de tudo para o salvar.

A série dividiu opiniões, quando da estreia na Alemanha, em 2013, tanto dentro como fora do país. Em termos de audiência foi um sucesso, mas em causa esteve, sobretudo, a forma como foi retratado o regime nazi. Se por um lado, foi elogiada a competência dramática e o aspeto geral da produção, por outro, gerou algum desconforto o tom revisionista da narrativa.

Consagrados historiadores alemães dividiram-se. Norbert Frei, da Universidade do Ruhr, elogiou a apresentação do conflito na Frente Leste e a caracterização das personagens principais. Ulrich Herbert, da Universidade de Friburgo, criticou a divisão entre nazis e "os outros alemães" e a excessiva vitimização. Nada comparado com a violenta reação na Polónia que chegou a motivar cartas de protesto por parte dos embaixadores polacos na Alemanha e na Áustria.

Na imprensa norte-americana, A.O. Scott, crítico do The New York Times, escreveu na altura sobre como "Filhos da Guerra" pretende conferir "empatia" e "compreensão" aos alemães que, como milhões de outros seres humanos, sofreram na pele a destruição e a violência do conflito. Qualifica a série como um exercício de "memória de seletiva" e afirma que a "dramatização da história, é bastante questionável". Já Michael O'Sullivan, do The Washington Post apelidou-a de "revisionista" e "retrógrada".

No Reino Unido, James Delingpole, do The Spectator, lança o alerta logo no início do seu texto: "não se pode confiar nesta série" e queixa-se do facto de "a sensibilidade do espectador alemão ser poupada" em diversas ocasiões. A reação do The Guardian foi bastante mais positiva com o crítico Sam Wollaston a confessar que achou "Filhos da Guerra" um produto "corajoso" e "emocionante".

Trailer "Filhos da Guerra"