Publicado em 28 Aug. 2025 às 19:01, por filmSPOT, em Notícias de cinema (Temas: Festivais de cinema)
A 82.ª edição do Festival de Veneza arrancou quarta-feira entre manifestações políticas, declarações de princípios e celebrações do cinema. A entrega do Leão de Ouro honorário a Werner Herzog e a estreia mundial de "La Grazia", de Paolo Sorrentino, marcaram o primeiro dia da mostra.
O arranque da mais antiga competição cinematográfica do mundo foi acompanhado por protestos que exigem uma posição clara do festival face à guerra em Gaza. Um grupo de ativistas exibiu no Lido uma faixa com a inscrição "Free Palestine. Stop al genocidio", antecipando a manifestação agendada para sábado, que incluirá também um cortejo aquático. A organização afirma que a iniciativa reúne já centenas de apoios, tanto de movimentos sociais como de profissionais do cinema.
Perante a pressão para excluir artistas israelitas, ou para adotar uma posição oficial mais contundente, o diretor do festival, Alberto Barbera, responde que Veneza "não exerce qualquer forma de censura" e rejeitou a ideia de discriminar participantes pela nacionalidade. "A nossa posição foi claramente expressa. Sofremos perante o que acontece em Gaza e na Palestina, perante a morte de civis, sobretudo de crianças. Mas o festival é, antes de mais, um espaço de abertura, de debate e de confronto entre diferentes culturas", afirmou.
A cerimónia de abertura começou com a homenagem ao cineasta alemão Werner Herzog, que recebeu o Leão de Ouro honorário das mãos de Francis Ford Coppola. Comovido, Herzog agradeceu a distinção definindo-se como "um soldado do cinema, para quem a perseverança e o sentido de dever foram sempre bússolas criativas". Coppola, por sua vez, sublinhou a singularidade do homenageado.
A programação arrancou oficialmente com a exibição de "La Grazia", de Paolo Sorrentino, que concorre pelo Leão de Ouro. O filme centra-se num Presidente da República italiano em final de mandato (interpretado por Toni Servillo), confrontado com pedidos ligados à eutanásia, enquanto lida com a memória da mulher falecida. Em conferência de imprensa, Sorrentino afirmou que quis refletir sobre "a importância do exercício da dúvida na política", contrapondo-o à tendência atual para certezas "pouco sustentadas".
A 82.ª Mostra Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza prolonga-se até 7 de setembro, reunindo dezenas de estreias mundiais e alguns dos principais nomes do cinema contemporâneo.
Foto:Jacopo Salvi La Biennale di Venezia - Foto ASAC