Cartaz de cinema

Festival Curtas de Vila do Conde anuncia programação para 2020

Publicado em 1 Set. 2020 às 11:06, por Samuel Andrade, em Notícias de cinema (Temas: Festivais de cinema)

Festival Curtas de Vila do Conde anuncia programação para 2020

A 28.ª edição decorre de 3 a 11 de outubro e reúne 48 filmes em estreia nacional.

Num ano marcado pela necessidade de reagendamento e de aposta em novos formatos de atividade, o Curtas de Vila do Conde divulgou, esta segunda-feira, os 48 filmes que compõem a competição internacional e experimental da 28.ª edição do festival, que se realizará entre 3 e 11 de outubro.

Entre os realizadores que estarão em concurso, destacam-se as presenças de autores conceituados do cinema documental e experimental. Os novos trabalhos de nomes como Sergei Loznitsa, Jafar Panahi, Dominga Sotomayor, Ali Asgari, Ben Rivers, Guy Maddin, ou Ben Russell vão conhecer estreia nacional durante o festival, que, tal como divulgado no mês passado,  homenageia o realizador espanhol Isaki Lacuesta.

Detalhes da programação

La Bobine 11004

Sergei Loznitsa e Jafar Panahi são dois dos mais interessantes cineastas da actualidade. O primeiro, ucraniano, tem construído uma obra que percorre os territórios marcados pelo legado soviético; o segundo, iraniano, tem sido um canal aberto para o entendimento do Irão contemporâneo. Donos de uma impressionante sensibilidade para trabalhar a problemática política, social e cultural do seu povo foram desafiados pela Ópera Nacional de Paris para criarem uma obra que tivesse como ponto central uma cantora.

"A Night at The Opera" e "Hidden" trazem dois olhares sobre a cultura dos países onde as heroínas cantam, questionando noções de representação e interpretação. História também narrada no feminino, "Bella" de Thelyia Petraki desenvolve-se em cima de um conjunto de cartas de amor trocadas entre Anthi e Christos na recta final da Guerra Fria e da queda do Muro de Berlim.

Conjugando documentário e a ficção, o filme congela um momento específico do tempo onde tudo estava prestes a mudar. Viagem pessoal também proposta em "Correspondencia", obra através da qual Carla Simón e Dominga Sotomayor discutem as heranças familiares e a maternidade, recorrendo a um conjunto de imagens colhidas no dia-a-dia das suas vidas. Uma história sobre a intimidade que se vê interrompida pela emergência política de um país.

Também rodado na América Latina, "Electric Swan", de Konstantina Kotzamani, faz um micro-retrato da comunidade de Buenos Aires, através da história de um edifício onde diferentes classes habitam diferentes andares. Um filme onde a arquitectura se relaciona com o mapa emocional das personagens, mostrando como as diferentes classes sociais organizam a geometria da cidade.

Quando a Guerra Civil Espanhola entregou a vitória ao nacionalista Franco, mais de 500 mil espanhóis fugiram. Uma tendência que começara até mais cedo nas regiões republicanas do norte de Espanha. Em "Diarios del exilio" reúnem-se filmes de arquivo e filmagens caseiras, que ilustram o êxodo massivo no pré-ditadura e documentam um dos mais marcantes pontos históricos do país.

É também de fugas que se fala em "How to Disappear", ensaio construído em cima de um videojogo que reflecte sobre o papel dos desertores na guerra, abrindo, com isso, uma discussão em torno das políticas de armamento dos movimentos nacionalistas e as ideologias que marcam os exercícios em cenário de guerra.

Em 1946, oito meses depois dos bombardeamentos atómicos, uma equipa de filmagem realiza uma longa-metragem no Japão. As bobinas conseguem sair do país, mas são imediatamente classificadas como material secreto pelas entidades Norte-Americanas. Em "La Bobine 11004", Mirabelle Fréville explora o arquivo e filmagens daquele que foi o primeiro episódio de censura atómica da história.

Quando a equipa de "Mi piel, luminosa" (Nicolás Pereda e Gabino Rodríguez) se deslocou à Thomas More School para rodar, a pedido do Ministério da Educação, um documentário sobre a forma como estava a ser implementado o projecto "Improving Primary Schools", estava longe de imaginar que encontraria uma história que viria a mudar a direcção do filme. Uma criança posta em isolamento na sala de aula devido a uma doença que lhe tirou o pigmento natural da pele passa a ser a figura central de um filme onde Pereda volta a derreter as fronteiras entre documentário e a ficção.

Filmado no Harlem e nos jardins Claude Monet em Giverny na França, "The Giverny Document" é um poema cinematográfico que medita sobre a segurança e a autonomia corporal das mulheres negras. Cruzando animação, testemunhos de arquivo e entrevistas de rua, Ja"Tovia Gary explora a virtuosidade criativa das performers negras, enquanto nos lança um enunciado de questões sobre a forma como esses corpos incorporam heranças de trabalho forçado. Também discutindo o tema do racismo e da integração da comunidade negra no mundo, South acompanha duas organizações anti-racistas e anti-fascistas propondo um olhar sobre o poder das vozes colectivas e singulares na sociedade que construímos.

Destaque ainda para a estreia de "Witness", do multi-premiado realizador Ali Asgari, "Victor in Paradise", de Brendan McHugh, "Look Then Below", terceiro episódio da trilogia que Ben Rivers está a construir em torno do trabalho do escritor norte-americano Mark von Schlegell, "Stump the Guesser", novo tomo na cinematografia surreal e onírica do canadiano Guy Maddin, "Physique de la tristesse", a mais recente animação de Theodore Ushev, "Color-blind", de Ben Russell, um retrato feito entre a Polinésia Francesa e a Bretanha, que segue o "fantasma" de Gaugin pelo legado colonial do presente e "Casa Sol", de Lúcia Prancha, que explora o universo militante da escritora brasileira Hilda Hilst.

O Curtas de Vila do Conde decorre no Teatro Municipal de Vila do Conde, Auditório Municipal e na Solar – Galeria de Arte Cinemática, sendo possível consultar a programação na página do festival.

Curtas Vilda do Conde 2020