Publicado em 13 Sep. 2025 às 13:06, por filmSPOT, em Notícias de televisão e séries (Temas: Estreias)
A RTP2 apresenta a 24 de setembro, às 23h00, um documentário que reconstrói a histórica travessia do interior da África Austral por Alexandre de Serpa Pinto, em 1877, destacando os desafios científicos e políticos da época colonial.
O documentário "Como Eu Atravessei África", da autoria de Anabela Saint-Maurice, mergulha na narrativa da primeira Expedição Científica ao interior da África Austral, organizada pelo Governo português em 1877. Esta iniciativa, integrada por Serpa Pinto, Brito Capelo e Roberto Ivens, visava mapear territórios desconhecidos num contexto de intensa rivalidade entre potências europeias, que competiam pelo controlo de rotas comerciais e influências locais.
Na segunda metade do século XIX, a penetração no continente africano representava um risco extremo para os exploradores europeus, com trilhos inexplorados, condições climáticas hostis e ameaças constantes. Serpa Pinto, oficial militar de origem, emergiu desta odisseia transformado em figura proeminente do exploracionismo, ganhando reconhecimento na Europa do terceiro quartel do século. A expedição, que durou dois anos, não só produziu contributos geográficos como expôs as dinâmicas de poder, incluindo o comércio de escravos e as desigualdades impostas pela presença colonial.
Baseado no livro homónimo publicado por Serpa Pinto em 1881 e em correspondência enviada a Luciano Cordeiro, da Sociedade de Geografia de Lisboa, o filme recria a viagem através de uma narração em primeira pessoa pelo ator Albano Jerónimo, complementada pela locução de Maya Booth. A produção, com duração de 60 minutos, entrelaça o perigo, as epidemias e as intrigas diplomáticas, ilustrando o cruzamento entre ambições pessoais e o jogo geopolítico internacional. Revela ainda o impacto duradouro na colónia angolana, marcada pela exploração europeia e por preconceitos enraizados.
Anabela Saint-Maurice, realizadora do documentário, sublinha a intensidade da experiência vivida pelo explorador, num continente então assolado por caravanas de escravos e missões científicas que, por vezes, alinhavam-se com objetivos políticos. Estabelece ainda paralelos com os percursos de Henry Morton Stanley e David Livingstone, outros pioneiros que influenciaram a história de Angola.
O documentário conta com contributos de especialistas internacionais, como Maria Emília Madeira Santos, referência nos estudos sobre explorações angolanas; Isabel Castro Henriques, perita em história colonial e pós-colonial; Manuela Cantinho, diretora do Museu da Sociedade de Geografia de Lisboa; Miguel Bandeira Jerónimo, historiador da Universidade de Coimbra; Mathilde Leduc, do Museu Real da África Central, na Bélgica; Olivette Otele, da School of Oriental and African Studies, em Londres; Tim Jeal, biógrafo de Livingstone; e Catherine Hall, da University College London, ligada ao projeto "Legacies of British Slavery".
"Como Eu Atravessei África" é exibido na RTP2 a 24 de setembro, às 23h00.