Publicado em 7 Jul. 2025 às 22:24, por filmSPOT, em Notícias de cinema (Temas: Trailers, Primeiro olhar, Cinema Europeu)
O documentário será exibido nos cinemas dos Estados Unidos a partir de 25 de julho, com estreia televisiva prevista no programa "Frontline" ainda este ano.
O realizador ucraniano Mstyslav Chernov, vencedor de um Óscar com o documentário "20 Dias em Mariupol", regressa com um novo trabalho intitulado "Dois Mil Metros para Andriivka", centrado no esforço militar da Ucrânia para recuperar o território ocupado durante a guerra em curso com a Rússia.
A estreia do filme nos EUA está agendada para 25 de julho. Mais tarde, a obra será transmitida através do programa "Frontline", do canal público norte-americano PBS.
O documentário acompanha de perto os combates de uma brigada ucraniana ao longo de dois mil metros de floresta fortificada, numa tentativa de retomar a localidade de Andriivka, sob controlo russo.
Por meio de imagens captadas no terreno, gravações de câmaras corporais e testemunhos, Chernov e Alex Babenko, diretor de fotografia e seu colega na Associated Press, traçam um retrato próximo e inquietante da experiência vivida pelos soldados, revelando os dilemas, a exaustão e a resistência de quem combate numa frente marcada por destruição contínua.
Dando seguimento ao trabalho que o consagrou internacionalmente, Chernov desloca o foco da população civil, visto em "20 Dias em Mariupol", para os militares, procurando mostrar quem são, de onde vêm e o que os move. O documentário reflete sobre o peso emocional do conflito, particularmente numa altura em que os avanços no terreno se tornaram mais difíceis, e onde os combates são cada vez mais marcados pelo uso de tecnologia e armamento de precisão, como drones.
"Dois Mil Metros para Andriivka" tem sido reconhecido em vários festivais internacionais. Venceu o prémio de Melhor Realizador na secção de documentário de cinema mundial do Festival de Sundance, e foi igualmente distinguido no festival CPH:DOX em Copenhaga.
Em declarações recentes, Chernov descreve o estado psicológico das tropas ucranianas como profundamente afetado pela guerra prolongada. Ainda assim, afirma que a determinação permanece firme: "O desejo comum entre eles é garantir que os seus filhos não tenham de viver o mesmo inferno."

Já este fim de semana, antes da exibição do filme no Festival de Cinema de Karlovy Vary, na República Checa, Chernov e Babenko foram recebidos com uma emotiva ovação de pé. "Gostaria que este aplauso pudesse chegar aos soldados. Só a sua coragem e entrega tornaram este filme possível. É algo muito pessoal para nós", declarou Chernov.
Os cineastas explicaram que o uso de pequenas câmaras pelos soldados teve como objetivo eliminar a distância entre quem filma e quem vê, transmitindo a experiência brutal da guerra batalha sem filtros. Questionado sobre o impacto emocional de filmar em cenários de morte iminente, Chernov acrescentou: "Quando se entra numa trincheira com um soldado, deixa-se de ser repórter. Passamos a ser dois seres humanos que podem morrer a qualquer momento. Essa ligação é a mais forte que existe. Muitos dos soldados que filmámos morreram. Isso marcou profundamente o filme e marcou-nos a nós."
Babenko recordou que três soldados foram mortos em fevereiro de 2024, durante as filmagens. "Quando estreámos o documentário em Kiev, um mês depois, algumas famílias vieram ver imagens dos entes queridos desaparecidos."
Com um percurso jornalístico que inclui a cobertura da revolta de Maidan, o conflito no Donbass, a guerra na Síria e o cerco de Mosul, Chernov já iniciou a produção de um novo documentário junto à linha da frente, adaptando a abordagem às transformações no cenário militar, hoje dominado por operações remotas e armamento automatizado.
Segundo estimativas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, com sede nos EUA, o número de baixas militares (mortos e feridos) desde o início da invasão russa em 2022 ultrapassa os 400 mil do lado ucraniano e aproxima-se de um milhão do lado russo.