Publicado em 14 Jul. 2025 às 08:51, por Pedro Sesinando, em Opinião, Notícias de cinema (Temas: O Espírito da Colmeia, Festivais de cinema)
Na Competição Internacional do Curtas, o filme "Casi Septiembre" da espanhola Lucía G. Romero destaca-se como um retrato comovente da adolescência em suspensão.
De entre os filmes que passaram pelas duas sessões de Competição Internacional que o Curtas ofereceu no passado domingo destaca-se por larga margem o filme da realizadora espanhola Lucía G. Romero, "Casi Septiembre".
Evocativo do cinema de Korine ou, mais particularmente, de Sean Baker (a referência a "Florida Project" parece evidente) o filme acompanha Alejandra, uma jovem que vive com a família num parque de campismo situado nos arredores de uma cidade balnear nos últimos dias de verão.
Embora a dinâmica do filme brote da relação entre Alejandra e Amara, uma rapariga da cidade por quem se apaixona, é através da turbulência interior de Alejandra que Romero consegue aprofundar a história e evitar cair na estafada narrativa da fugacidade do amor de verão.
O filme conduz-nos pela rotina diária de Alejandra, pelos seus amores e afazeres familiares, deixa pistas sobre o seu passado, desde o pai ausente até à mãe que lhe confia o cuidado das irmãs mais novas. A partir daqui, Romero teoriza sobre o medo de abandono que se manifesta no comportamento de Alejandra e da desconfiança e insegurança que impactam inevitavelmente a forma como esta se relaciona com os demais, em particular com Amara.
Apesar do final mais ou menos previsível, Romero consegue dizer muito em pouco tempo, não só com o inestimável apoio das protagonistas, mas também apoiando-se num apurado sentido de ritmo e coesão entre planos e diálogos que ajudam manter a estética realista ideal para encaixar uma Alejandra em constante auto-defesa, uma espécie de náufraga que habita em permanência num sítio onde a vida dos outros é apenas temporária.