Publicado em 18 Dec. 2025 às 16:25, por filmSPOT, em Notícias de cinema (Temas: Cinema Português, Ciclos de cinema)
A instituição registou este ano os melhores resultados de bilheteira desde 2011 e prepara um ano marcado pelos 30 anos do seu arquivo nacional, com retrospetivas dedicadas a Martin Scorsese, Paulo Branco e ao cinema japonês de Hiroshi Shimizu.
A Cinemateca Portuguesa inicia o novo ano com um balanço positivo, tendo alcançado em 2025 mais de 52 mil espectadores a maior audiência nas salas da Rua Barata Salgueiro das últimas duas décadas.
Para consolidar este crescimento, a programação de 2026 apresenta uma proposta eclética que cruza cinema clássico, experimental e a preservação do património fílmico nacional.
O ano começa com o mês de janeiro dedicado à profissão de projecionista, com um programa com projeções e atividades envolvendo diferentes suportes cinematográficos. Esta iniciativa serve de preâmbulo para as celebrações do 30.º aniversário do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM) que, ao longo de 2026, colocará o restauro e a salvaguarda de películas no centro das atividades da instituição.
Um dos momentos altos do primeiro semestre será o foco no realizador japonês Hiroshi Shimizu, autor de obras como "O Som do Nevoeiro" e "Imagem de uma Mãe", permitindo ao público explorar a ponte entre o cinema clássico e moderno do Japão.
No campo do cinema de autor europeu, destaca-se a primeira retrospetiva integral dedicada ao ator espanhol Fernando Fernán Gómez e uma homenagem à atriz Claudia Cardinale, em parceria com a Festa do Cinema Italiano.
A "rentrée" de setembro será marcada por dois ciclos de grande envergadura. Martin Scorsese regressa à Cinemateca para uma revisão extensiva da sua filmografia - algo que não acontecia desde 1991 - e o produtor Paulo Branco será alvo de uma das maiores retrospetivas alguma vez realizadas pela instituição, com a exibição de dez filmes mensais que se prolongarão para além de 2026.
A memória das mulheres no cinema português ganha relevo com o 80.º aniversário da estreia de "Três Dias Sem Deus", de Bárbara Virgínia, a primeira longa-metragem de ficção realizada por uma mulher em Portugal. O ciclo estender-se-á a outras pioneiras, como Virgínia de Castro e Almeida e Maria Luísa Bívar. Noémia Delgado também será recordada através de uma mostra baseada no seu arquivo pessoal.
A oferta da Cinemateca diversifica-se ainda com ciclos dedicados ao cinema musical - evocando figuras como Fred Astaire e Judy Garland - e ao cinema "underground" de Hollis Frampton. O período estival de agosto será dedicado à figura do "rebelde", com sessões ao ar livre na Esplanada.
Entre outras propostas, Lisboa será o cenário central de um ciclo dedicado a filmes de espionagem rodados na capital, enquanto a rubrica "Histórias do Cinema" contará com a presença da investigadora Christa Blümlinger, para analisar a obra de Harun Farocki, e do crítico Adrian Martin, que abordará o legado de Billy Wilder.
O ano encerrará com um olhar sobre o western de Hugo Fregonese, a obra de Frank Borzage e uma "Carta Branca" entregue à realizadora portuguesa Rita Azevedo Gomes.