Cartaz de cinema

Brigitte Bardot morre aos 91 anos

Publicado em 28 Dec. 2025 às 14:45, por filmSPOT, em Notícias de cinema (Temas: Obituário, Cinema Europeu)

Brigitte Bardot morre aos 91 anos

A atriz e cantora francesa faleceu este domingo na sua residência em Saint-Tropez. Figura do cinema europeu e da revolução sexual dos anos 50, dedicou as últimas décadas de vida à defesa dos animais e a intervenções políticas polémicas.

Brigitte Bardot morreu, este domingo, aos 91 anos, na sua propriedade "La Madrague", no sul de França. A notícia foi confirmada pela fundação que leva o seu nome, instituição à qual a antiga estrela de cinema dedicou a maioria do tempo vida após abandonar a representação. 

Bardot enfrentava problemas de saúde recentes, tendo sido hospitalizada em outubro e novembro para intervenções cirúrgicas e repouso.

Nascida em Paris, em 1934, no seio de uma família de classe média alta, iniciou o percurso nas artes através do ballet e da moda. Aos 15 anos, uma capa na revista Elle captou a atenção do realizador Roger Vadim, que se tornaria o seu primeiro marido e mentor. 

A consagração internacional chegou em 1956 com o filme "E Deus Criou a Mulher". A obra desafiou a censura da época e transformou Bardot num símbolo global de sensualidade.

Em 1959, com "Babette Vai à Guerra", a atriz explora a sua vertente humorística num cenário de resistência, enquanto em 1960, sob a batuta de Henri-Georges Clouzot em "A Verdade", entregou aquela que é considerada por muitos críticos a sua interpretação mais densa e emocional. A década de 60 marcou também o encontro de B.B. (como ficou conhecida) com a modernidade estética da Nouvelle Vague em "O Desprezo", de Jean-Luc Godard, onde a sua própria imagem de estrela foi objeto de uma desconstrução artística profunda.

A carreira prosseguiu com sucessos como "Viva Maria!", ao lado de Jeanne Moreau, e incursões no western em "Shalako", com Sean Connery. No início da década de 70, após participar em "As Petrolíferas", Bardot encerra o seu ciclo de atriz com "A História Alegre de Colinot", em 1973.

No auge da fama e com apenas 39 anos, decide abandonar definitivamente os ecrãs. Para Bardot, o abandono do cinema foi um ato de sobrevivência. Perseguida por paparazzi e cansada da objetificação, encontrou no ativismo a autenticidade que a indústria cinematográfica lhe negava. A partir dessa data, a antiga atriz utilizou a sua notoriedade para combater o abandono de animais e promover o bem-estar de diversas espécies, chegando a recusar a Legião de Honra francesa para manter a independência na luta por estas causas. Em 1986, consolidou este compromisso com a criação da Fundação Brigitte Bardot, financiada em grande parte pela venda de objetos pessoais e joias. 

A sua residência em Saint-Tropez, "La Madrague", transformou-se num santuário. Ali, a antiga estrela trocou os vestidos de alta costura pela vida simples de uma quinta, rodeada por cães, gatos e cavalos. Bardot utilizou o seu capital político e mediático para enfrentar governos e indústrias, combatendo a caça às focas no Canadá, as touradas e ao consumo de carne de cavalo em França.

Nos últimos anos, a vida pública de Bardot fica marcada por posições ideológicas conservadoras e declarações controversas. Manifestou apoio à Frente Nacional de Marine Le Pen e criticou abertamente a imigração, o feminismo moderno e a comunidade muçulmana em França. Estas opiniões resultaram em condenações judiciais por incitamento ao ódio racial.