Publicado em 8 Aug. 2025 às 10:47, por filmSPOT, em Notícias de cinema (Temas: Estreias, Cinema Europeu)
Ao longo de sete dias alucinatórios, uma aldeia sem nome, num tempo e lugar indefinidos, vai desaparecendo.
A Alambique anunciou a estreia do novo filme da realizadora grega Athina Rachel Tsangari, "Colheita", marcada para 21 de agosto. A longa-metragem, que teve lançamento mundial no Festival de Veneza, adapta o romance homónimo de Jim Crace, editado em Portugal pela Editorial Presença, e oferece uma meditação densa sobre as ruturas sociais e o ocaso do estilo de vida rural.
"Colheita" evoca os westerns num tom trágico e satírico e desenrola-se numa aldeia sem nome, num tempo indefinido, ao longo de sete dias intensos. Acompanha a personagem de Walter Thirsk (Caleb Landry Jones), um homem da cidade convertido em agricultor, e Charles Kent (Harry Melling), um senhor feudal em crise. A amizade de infância entre ambos é testada pela chegada de forasteiros e pelas forças da modernização. A trama destaca as figuras de um cartógrafo, de viajantes errantes e de um emissário do poder que precipitam a desagregação da comunidade agrária, confrontada com os primeiros sinais da Revolução Industrial.
No elenco estão ainda Rosy McEwen, Arinzé Kene, Thalissa Teixeira e Frank Dillane.
Filmado com precisão e uma abordagem visual que privilegia as texturas da vida rural, "Colheita" examina o impacto do progresso nas tradições enraizadas com recurso ao humor mordaz e à melancolia.
Athina Rachel Tsangari e um dos nomes mais conhecidos internacionalmente no cinema grego contemporâneo, conhecida por obras como "Attenberg" (2010), drama que explora relações familiares e alienação social, premiado no Festival de Veneza, e "Chevalier" (2015), comédia satírica sobre rivalidades masculinas a bordo de um iate. Tsangari também realizou a minissérie "Trigonometry" (2020) para a BBC e colaborou com Yorgos Lanthimos, nomeadamente como produtora em "Canino" (2009). O seu trabalho caracteriza-se por narrativas que questionam normas sociais e estruturas de poder, com toques nem sempre subtis de humor negro.
Caleb Landry Jones, que interpreta Walter Thirsk, é um ator norte-americano reconhecido pela sua versatilidade. Ganhou destaque com papéis em "X-Men: O Início" (2011), onde interpretou Sean Cassidy/Banshee, e em "Três Cartazes à Beira da Estrada" (2017), como Red Welby. Jones venceu o prémio de Melhor Ator no Festival de Cannes por "Nitram" (2021), um drama sobre o massacre de Port Arthur, na Austrália. Recentemente, protagonizou "Dogman" (2023), de Luc Besson, interpretando um marginal com uma ligação única a cães. A sua capacidade de incorporar personagens complexas e emocionalmente intensas tem sido amplamente elogiada.
Harry Melling, que interpreta Charles Kent, é um ator britânico que ganhou notoriedade como Dudley Dursley na saga "Harry Potter" no início dos anos 2000. Melling diversificou a sua carreira em filmes como "A Balada de Buster Scruggs" (2018), dos irmãos Coen, e "Sempre o Diabo" (2020). Em "Os Olhos de Allan Poe" (2022) destacou-se ao lado de Christian Bale, interpretando um jovem Edgar Allan Poe, e na minissérie "Gambito de Dama" (2020), encarnou Harry Beltik.