Publicado em 18 Sep. 2025 às 08:29, por filmSPOT, em Notícias de televisão e séries (Temas: Bastidores)
A decisão da Disney, dona da ABC, de retirar indefinidamente o programa de Jimmy Kimmel da grelha surge na sequência de críticas do apresentador à politização do assassinato do ativista conservador Charlie Kirk.
A Disney, proprietária da cadeia de televisão ABC, anunciou a suspensão por tempo indeterminado do programa "Jimmy Kimmel Live!" após comentários do apresentador sobre o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk. Na base da decisão está uma ameaça da Nexstar Media, um dos maiores proprietários de estações de televisão nos Estados Unidos, de substituir o programa por outra programação nos mercados afiliados à ABC.
Na passada segunda-feira, durante o monólogo inicial, Kimmel criticou o que descreveu como tentativas do "gangue MAGA" de politizar a morte de Kirk, assassinado a 10 de setembro durante um debate na Utah Valley University.
"Chegámos a novos mínimos este fim de semana com o gangue MAGA a tentar caracterizar o jovem que matou Charlie Kirk como qualquer coisa que não um deles", afirmou Kimmel, aludindo à exploração política do incidente por parte de setores conservadores. O apresentador também ironizou a resposta do Presidente Donald Trump a uma pergunta sobre como estava a lidar com a morte de Kirk, com Trump a desviar o tema para a construção de um novo salão de baile na Casa Branca.
A Nexstar representa uma parte substancial da distribuição nacional do programa e justificou a sua posição ao declarar que "se opõe veementemente aos recentes comentários de Kimmel sobre o assassinato de Charlie Kirk". Esta substituição do "Jimmy Kimmel Live!" por outros programas terá um impacto significativo nas receitas da Disney e a ABC.
Outro motivo para a decisão da Disney está nas pressões do presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Brendan Carr, que ameaçou tomar medidas contra a ABC. Após o anúncio da suspensão, Carr elogiou a Nexstar nas redes sociais, afirmando que "os operadores locais têm a obrigação de servir o interesse público". A Nexstar está atualmente em processo de aquisição da Tegna Inc., num negócio de 6,2 mil milhões de dólares que requer aprovação da FCC, levantando especulações sobre se esta decisão foi motivada por interesses regulatórios.
Defensores da liberdade de expressão manifestaram-se contra a suspensão do talk show de Kimmel. Christopher Anders, um dos diretores da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), classificou a decisão como "pior do que o macartismo", acusando as empresas envolvidas de cederem a pressões do governo para silenciar críticos. "Jimmy Kimmel é o mais recente alvo do plano inconstitucional da administração Trump para controlar o que os americanos veem e leem", afirmou Anders.
O caso reflete um ambiente de crescente tensão entre os media tradicionais e a administração Trump. Nos últimos meses, a ABC News e a CBS News enfrentaram processos judiciais movidos por Trump devido a reportagens e comentários de jornalistas. Ambas aceitaram pagar acordos multimilionários, apesar de especialistas considerarem os casos juridicamente frágeis. Além disso, a Paramount anunciou recentemente o cancelamento do programa "The Late Show with Stephen Colbert", citando uma quebra nas receitas publicitárias, embora persistam suspeitas de motivações políticas.
Numa era em que o humor político e os comentários incisivos impulsionam audiências e interações nas redes sociais, a suspensão de "Jimmy Kimmel Live!" levanta questões sobre o futuro dos tradicionais talk-shows noturnos nos Estados Unidos. A decisão da Disney pode sinalizar uma mudança com implicações para a liberdade de expressão e o papel dos media.
A SAG-AFTRA, sindicato dos atores, condenou a decisão de suspender o programa de Jimmy Kimmel: "A decisão de suspender a transmissão do "Jimmy Kimmel Live!" é o tipo de supressão e retaliação que põe em perigo as liberdades de todos"
A WGA, associação profissional de argumentistas, também mostrou solidariedade: "Estamos unidos na oposição a todos os que usam o seu poder e influência para silenciar as vozes dos escritores, ou de qualquer pessoa que fale em desacordo".
O presidente dos EUA, Donald Trump ficou agradado com a saída de cena de Kimmel. Numa reação nas redes sociais escreveu "É uma grande notícia para a América!"