Cartaz de cinema

A Festa do Cinema Italiano 2018 começa a 4 de abril

Publicado em 26 Mar. 2018 às 23:32, por , em Notícias de cinema (Temas: Festivais de cinema, Cinema Europeu, Ciclos de cinema)

A Festa do Cinema Italiano 2018 começa a 4 de abril

A 11ª edição da Festa do Cinema Italiano começa a 4 de abril, em Lisboa e no Porto. Como é hábito, alarga a presença a outras cidades portuguesas e estende-se até junho para se mudar depois além fronteiras para o Brasil, Angola e Moçambique, em datas a anunciar.

Conheça as datas e locais da 11ª Festa do Cinema Italiano

  • Lisboa: 4 a 12 de abril (Cinema São Jorge, Cinemas UCI El Corte Inglés, Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema)
  • Porto: 4 a 8 de abril (Cinema Trindade, Teatro Rivoli)
  • Cascais: 5 a 8 de abril (Cinema da Villa)
  • Setúbal: 5 a 8 de abril (Cinema Charlot – Auditório Municipal)
  • Almada: 6 a 8 de abril (Auditório Fernando Lopes Graça)
  • Coimbra: 7, 12 e 13 de abril (TAGV – Teatro Académico Gil Vicente)
  • Évora: 11 a 13 de abril (Auditório Soror Mariana)
  • Aveiro: 16 e 17 de abril (Teatro Aveirense)
  • Viseu: 17 a 19 de abril (Cine Clube de Viseu – Auditório IPDJ)
  • Beja: 2 a 4 de maio (Pax Júlia – Teatro Municipal)
  • Moita: 11, 18 e 25 de maio (Fórum Cultural José Manuel Figueiredo)
  • Tomar: 15 a 19 de maio (Cine-Teatro Paraíso)
  • Loulé: 18 a 20 de maio (Cine-Teatro Louletano)
  • Viana do Castelo: 22 e 23 de maio (Teatro Municipal Sá da Bandeira)
  • Caldas da Rainha: 22 a 24 de maio (CCC - Centro Cultural e de Congressos)
  • Funchal: 6 a 9 de junho (Teatro Municipal Baltazar Dias)

Stefano Savio, diretor da Festa do Cinema Italiano explica quais são os objetivos: "continuamos a promover a cinematografia italiana em Portugal, procurando apresentar uma programação rica e heterogénea indo ao encontro de diferentes tipos de público, continuando, ao mesmo tempo, a manter a nossa identidade já reconhecida pelo público português".

Ao todo serão mais de 50 filmes. As últimas obras de autores conhecidos do cinema italiano vão estar ao lado de novos nomes, incluídos na secção competitiva. Haverá lugar para o cinema mais comercial, mas também para as experiências mais arrojadas que poderão ser vistas na secção Altre Visioni, e para as recordações de títulos fundamentais da história do cinema italiano.

As antestreias do festival são sete e uma delas é o filme de abertura, "Sicilian Ghost Story", de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza. Filme de abertura da Semaine de la Critique no Festival de Cannes 2017, "Sicilian Ghost Story" é o novo trabalho da dupla de realizadores que ganhou o Grande Prémio dessa mesma secção em 2013 comm "Salvo" (exibido na Festa do Cinema Italiano, em 2014). Um conto fantástico inspirado por um caso que chocou a opinião pública italiana nos anos 90. Uma fábula romântica no mundo implacável da máfia italiana.

Para o encerramento está reservado "The Place". Depois de "Perfetti sconosciuti" (Amigos, Amigos, Telemóveis à Parte), Paolo Genovese regressa à Festa do Cinema Italiano com uma comédia que fala sobre o preço que cada pessoa está disposta a pagar para ver realizado certo sonho ou objetivo. O filme tem estreia nacional prevista para 19 de abril.

Também na secção Panorama, dedicada às mais recentes obras de grandes autores italianos, surge "Nico, 1988", de Susanna Nicchiarelli. Uma antestreia em Portugal que conquistou o prémio de Melhor Filme da secção Orizzonti no último festival de Veneza. Trata-se da biopic da vocalista dos Velvet Underground e musa de Andy Warhol. Aborda o seu trabalho a solo e o período de escuridão e decadência da última fase da sua vida e os últimos concertos quando andou em digressão pela Europa de Leste, antes da queda do muro de Berlim. No filme, Nico é interpretada pela cantora e atriz dinamarquesa Trine Dyrholm. A estreia comercial está prevista para Junho.

Outros filmes da secção Panorama

"Fortunata", de Sergio Castellitto, estreou no festival de Cannes, e onde a protagonista, Jasmine Trinca, recebeu o prémio de melhor atriz, interpretando Fortunata, uma mulher com uma vida difícil, uma filha de oito anos e um casamento fracassado.

"Ella & John – The Leisure Seeker", de Paolo Virzì, marca a estreia do realizador em filmes em língua inglesa, protagonizado por  Helen Mirren e Donald Sutherland. Baseado no romance The Leisure Seeker, de Michael Zadoorian, o casal Ella & John leva-nos numa viagem de carrinha quando, aos 80 anos, decidem escapar dos cuidados médicos para irem de Boston até Key West, onde está a casa-museu de Ernest Hemingway, ídolo de John.

No campo das comédias apresentadas em antestreia nacional, há lugar para o musical "Ammore e Malavita", dos irmãos Antonio e Marco Manetti. Inspirado em "Grease" e "Flashdance", tem lugar no submundo da máfia napolitana. Com interpretações entre o humor e o overacting, estreou em competição do festival de Veneza. Estreia nacional a 12 de abril.

"A Casa Tutti Bene", de Gabriele Muccino, mostra o que acontece quando uma grande e típica família italiana se junta para comemorar o 50º aniversário de casamento da avó Alba e do avó Pietro na sua casa numa ilha e o mau tempo obriga todos a permanecerem mais tempo do que era suposto. Esta coabitação forçada leva inevitavelmente ao confronto entre vários membros da família, às vezes alegre, às vezes dramática, reavivando medos, problemas nunca resolvidos, invejas e ciúmes, num filme que foi um grande sucesso italiano. Chega às salas a 26 de abril.

"Sono Tornato", de Luca Miniero, passa-se nos dias de hoje, em Roma, onde, 80 anos depois da sua morte, Benito Mussolini está de volta. Uma comédia politicamente incorreta e dramaticamente atual que mistura ficção com realidade e que coloca uma questão perturbadora: e se Mussolini realmente voltasse?

Ainda no campo da comédia são apresentados os sucessos de bilheteira em Itália "Poveri ma ricchi", de Fausto Brizzi, e "L'ora legale", de Salvatore Ficarra e Valentino Piccone. O primeiro é um filme sobre uma família modesta de uma pequena aldeia da região de Lazio que ganha a lotaria e decide mudar-se para um hotel de luxo em Milão. No entanto, começam a perceber que os ricos de hoje já não são como os do passado: são discretos, ecologistas, apoiam causas sociais e andam de bicicleta. O segundo é uma comédia amarga que descreve na perfeição a vida italiana, denunciando falhas na sociedade, mecanismos recorrentes, sem nunca desistir de um certo tom luminoso e da ironia onde no centro do argumento estão os habitantes de Pietrammare que, fartos do caos e da corrupção, elegem um novo presidente, um homem íntegro e correto que proporciona uma ordem que, afinal, não traz apenas vantagens.

Outra antestreia nacional é "La ragazza nella nebbia", primeiro filme Donato Carrisi, um dos escritores italianos de policiais mais conhecidos internacionalmente, com desempenhos de Toni Servillo e Jean Reno. A construção da intriga, cheia de surpresas, mistura-se com a crítica ao papel ambíguo desempenhado pelos meios de comunicação social, envolvendo o espectador num conto pouco banal.

Relativamente a últimas obras de importantes autores italianos, a Festa do Cinema Italiano exibe "Una questione privata", de Paolo e Vittorio Taviani, que se passa em 1943, num contexto de conflito, durante a Segunda Guerra Mundial, centrado num militar que se encontra dividido entre as lutas contra os nazis, a amizade com os seus companheiros e um amor clandestino, e "La tenerezza", de Gianni Amelio, um melodrama sóbrio, onde um advogado reformado, egoísta, incapaz de amar e zangado com os filhos, desenvolve, após sofrer um ataque cardíaco, uma inexplicável afeição pelos seus novos vizinhos, uma família acabada de se mudar para a casa em frente à sua.

Marco Tullio Giordana vai estar em Lisboa para apresentar dois filmes na 11ª Festa do Cinema Italiano: em antestreia internacional, o seu mais recente "Nome di donna" que retrata a pressão de que as mulheres são alvo no mundo laboral e o aclamado "La meglio gioventù"" (A Melhor Juventude). No âmbito deste filme, o ator Fabrizio Gifuni marca também presença em Lisboa.

"L'intrusa", de Leonardo di Costanzo leva-nos a Nápoles, onde uma assistente social combativa com 60 anos, enfrenta uma criminalidade onipresente. Ela gerencia um centro que cuida de crianças desfavorecidas e oferece uma alternativa ao domínio da máfia da cidade e vê-se confrontada com um dilema moral que ameaça destruir o seu trabalho e a sua vida. Um filme que levanta questões relacionadas com moral, coragem e utopia social.

A secção competitiva é composta por cinco primeiras obras

Nomeado para Melhor Primeira Obra no festival de Roterdão, "Guarda in alto", de Fulvio Risuleo, tem como ponto de partida um intervalo para um cigarro num telhado por parte de Teco, um jovem e exausto padeiro. Durante esta pausa, algo capta a sua atenção: uma estranha gaivota cai do céu a algumas casas de distância.

Com base no romance do mesmo nome de Carlo D'Amicis, "La guerra dei cafoni", de Davide Barletti e Lorenzo Conteo, é um conto de fadas mágico situado numa Puglia rural, não contaminada e às vezes metafísica, onde o épico se mistura com a aventura.

"Cuori Puri", de Roberto de Paolis, foi uma revelação em Cannes. Agnese, de 17 anos, vive sozinha com uma mãe impiedosa que pede que ela faça um voto de castidade até o casamento. Stefano, de 25 anos, de um meio marginalizado, está vigilante num estacionamento. Quando os dois se encontram um novo universo nasce, mas será que os ideais de Agnese e a violência do mundo de Stefano permitirão que essa paixão possa sobreviver?

"Easy", de Andrea Magnani é um road movie entre aventuras e espanto, uma tenra comédia perdida na desolação da Europa Oriental, e, sobretudo, uma viagem de treino, um segundo nascimento.

Finalmente, "Happy Winter", um documentário de Giovanni Totaro, que se passa nas praia de Modello, na Sicília, onde inúmeras pessoas passam o seu verão. Em completa devoção pela praia, a maioria não larga a espreguiçadeira até Setembro, para muitos o melhor refúgio para esquecerem e exorcizarem as dificuldades diárias e a crise económica, parecendo felizes e sem problemas.

Secção Altre Visioni

As novas linguagens cinematográficas estarão representadas na secção Altre Visioni composta por quatro filmes: "Beautiful Things", de Giorgio Ferrero e Federico Biasin, uma obra entre o documentário e a videoarte que apresenta o ciclo da produção de objetos que caracterizam a vida quotidiana. Através entrevistas e onde a música desempenha também um papel de destaque. Os realizadores vão estar em Lisboa, no âmbito do festival.

"Hannah", de Andrea Pallaoro, traz-nos uma fantástica Charlotte Rampling, num retrato íntimo da perda de identidade de uma mulher e de como ela se encontra entre a realidade e negação. Sozinha, a lutar com as consequências da prisão do seu marido, Hannah tenta reaprender a viver. Através da exploração de um sentido fraturado de identidade e autocontrole, o filme investiga a alienação moderna, a luta pela conexão e as linhas divisórias entre a identidade individual, as relações pessoais e as pressões sociais.

Em "Il cratere", de Silvia Luzi e Luca Bellino, um vendedor ambulante de peluches nas festas populares vê como único futuro a voz da sua filha Sharon e a esperança de que esta se torne uma estrela da música napolitana, tornando este desejo numa obsessão, criando uma relação entre pai e filha numa lógica de controlo e repressão.

"Surbiles", de Giovanni Columbu, conta e reconstrói algumas das histórias das Surbiles, mulheres aparentemente como todas as outras, mas que abandonam o seu corpo físico entre o pôr-do-sol e a madrugada, enquanto dormem com recurso a drogas, entrando nas casas para sugar o sangue das crianças.

Amarcord

A Festa do Cinema Italiano é também uma oportunidade para revisitar clássicos que marcaram gerações. É o caso de "Nuovo Cinema Paradiso" (Cinema Paraíso), de Giuseppe Tornatore, que o festival apresenta, no dia em que o filme regressa às salas de cinema portuguesas no âmbito da comemoração do seu 30º aniversário.

Outro clássico exibido no festival é o aclamado "Il postino" (O Carteiro de Pablo Neruda), de Massimo Troisi e Michael Radford.

O festival presta também homenagem a Marco Ferreri (1928-1997), um dos grandes nomes do cinema italiano, exibindo uma retrospectiva com alguns dos seus principais filmes. Sem seguir tradições, cómico e autor contra as normas estabelecidas, Marco Ferreri tem uma obra onde proliferam o humor negro, o surrealismo subversivo e uma crítica ácida à sociedade. Numa lista ainda em atualização, são exibidos, durante a Festa do Cinema Italiano, os seguintes títulos: "La carrozzella" (A Motoreta), "Una storia moderna - L'ape regina" (O Leito Conjugal), "La Donna Scimmia", "L'uomo dei cinque palloni", "Dillinger è morto" (Dillinger Morreu), "Il seme dell'uomo" (A Semente do Homem), "La grande abbuffata" (A Grande Farra), "Non toccare la donna bianca" (Não Toques na Mulher Branca), "L'ultima donna" (A Última Mulher), "La Carne" e "La Cagna".